terça-feira, 7 de setembro de 2010

Saúde da Mulher - quinta-feira, 03 de dezembro de 2009
Atalho: 56GJHRS
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Depressão em mulheres

O que é depressão?

A depressão é um distúrbio de alteração do humor sério e por vezes incapacitante. Causa sentimentos de tristeza, desespero, desamparo e inutilidade.

Ela pode ser leve a moderada com sintomas1 de apatia2, falta de apetite, dificuldade para dormir, baixa auto-estima e fadiga. Ou pode ser uma depressão maior com sintomas1 de humor depressivo na maioria dos dias, falta de interesse nas atividades rotineiras que antes eram realizadas com satisfação, perda ou ganho de peso, insônia ou hipersonia, fadiga, sentimentos de culpa na maioria dos dias e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.


Quais os sintomas1 de depressão na mulher?

De início insidioso, a depressão evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração se não for tratada. Geralmente, os sintomas1 duram pelo menos duas semanas provocando prejuízos na vida social, familiar e ocupacional.

Os sintomas1 de depressão nas mulheres incluem:

  • Sentimentos de tristeza persistente, ansiedade e “vazio”
  • Perda de interesse ou prazer em atividades comuns
  • Nervosismo, inquietação, irritabilidade, choro fácil
  • Sentimentos de culpa, inutilidade, falta de esperança, pessimismo
  • Excesso de sono ou ausência de sono
  • Perda de energia, fadiga
  • Baixa auto-estima
  • Perda da libido
  • Pensamentos recorrentes em morte ou suicídio ou tentativas de suicídio
  • Dificuldade de concentração, de memorização ou para tomar decisões
  • Sintomas1 físicos persistentes que não respondem ao tratamento, como dores de cabeça, desordens digestivas, dores crônicas


Por que a depressão é mais comum em mulheres do que nos homens?

Antes da adolescência, a prevalência3 de depressão é a mesma em meninas e meninos. Entretanto, com a chegada desta fase da vida, o risco das garotas desenvolverem depressão aumenta duas vezes mais que o dos garotos.

Alguns especialistas acreditam que mudanças hormonais estão relacionadas a este risco aumentado. Estas mudanças são evidentes durante a puberdade, gravidez4 e menopausa5 assim como no pós-parto, histerectomia6 ou aborto. Além disso, as flutuações hormonais que ocorrem a cada ciclo menstrual provavelmente contribuem para a síndrome7 pré-menstrual ou TPM. Há também a doença disfórica pré-menstrual ou DDPM, um tipo severo de TPM especialmente reconhecido por depressão, ansiedade, mudanças de humor cíclicas e letargia.


O que aumenta as chances de uma mulher ter depressão?

De acordo com o National Institutes of Health os fatores que aumentam o risco de uma mulher ter depressão incluem fatores genéticos, biológicos, reprodutivos, interpessoais e características psicológicas e de personalidade.

Além disso, as mulheres que intercalam o trabalho com o cuidado com seus filhos ou as mães solteiras sofrem mais de estresse que pode desencadear a depressão.

Outros fatores incluem:

  • História familiar de alterações do humor
  • História de desordens do humor na adolescência
  • Perda de um dos pais antes dos 10 anos de idade
  • Perda de apoio social ou ameaça de tal perda
  • Estresse psicológico ou social, como perda de emprego, relacionamento estressante, separação ou divórcio
  • Abuso sexual ou físico durante a infância
  • Uso de certos tratamentos para infertilidade8
  • Uso de alguns contraceptivos orais
  • Mulheres podem apresentar depressão logo após terem um bebê, a chamada depressão pós-parto
  • Certas alterações afetivas sazonais, mais comuns no inverno
  • Transtorno bipolar, pois a depressão é uma parte da doença bipolar


A depressão pode ser familiar?

Sim. A depressão pode estar presente nas famílias. Quando isso acontece, ela geralmente começa nas idades entre 15 e 30 anos. Um traço familiar de depressão é muito mais comum em mulheres do que nos homens.


Qual a diferença da depressão em mulheres e homens?

A depressão feminina difere da masculina de várias maneiras:

  • Depressão em mulheres pode ocorrer cedo, durar mais tempo, apresentar mais recorrência, ser mais associada a eventos estressantes da vida e ser mais sensível a mudanças sazonais.
  • As mulheres experimentam mais os sentimentos de culpa e têm mais tendência ao suicídio, embora atualmente elas cometam menos suicídio que os homens.
  • A depressão feminina é mais associada a desordens de ansiedade, como sintomas1 de pânico ou fobias e desordens alimentares.
  • Mulheres deprimidas tem maior tendência a abusar do álcool e outras drogas.


Como a tensão pré-menstrual (TPM) e a desordem disfórica pré-menstrual (DDPM) se relacionam com a depressão?

Três em cada quatro mulheres que menstruam têm TPM. Ela é caracterizada por sintomas1 emocionais e físicos que variam de intensidade de um ciclo menstrual para o outro. Mulheres com 20 a 30 anos são usualmente afetadas pela TPM.

Cerca de 3 a 5% das mulheres que menstruam têm DDPM, um tipo severo de TPM, marcada por sintomas1 emocionais e físicos muito fortes que antecedem em cerca de 10 dias o início da menstruação9.

Na última década, estas condições foram reconhecidas como importante causa de desconforto e mudanças de comportamento em mulheres. Enquanto a relação entre TPM, DDPM e depressão permanece sem ser esclarecida, acredita-se que mudanças químicas no cérebro e flutuação dos níveis hormonais sejam fatores que contribuem para tal associação.

Muitas mulheres que sofrem de depressão associada à TPM ou DDPM melhoram com exercícios físicos e meditação. Para aquelas com sintomas1 severos, psicoterapia individual ou de grupo, medicamentos e manejo do estresse podem ajudar.


A prevalência3 de depressão aumenta na meia-idade?

A perimenopausa é o estágio da vida reprodutiva da mulher que começa oito a dez anos antes da menopausa5 e dura até o início desta. Neste período, os ovários10 começam a produzir gradualmente menos estrogênio e, na menopausa5, param de produzir óvulos.

A menopausa5 é o período que a mulher para de menstruar e aparecem os sintomas1 decorrentes da queda de estrogênio. Por definição, uma mulher está na menopausa5 quando para de menstruar por um ano. Isto é uma parte normal da vida e marca o fim da vida reprodutiva da mulher. Tipicamente ela ocorre em mulheres na 4° ou 5° década de vida. Entretanto, aquelas mulheres que tiveram os ovários10 removidos cirurgicamente passam por uma menopausa5 repentina.

Esta queda de estrogênio desencadeia mudanças físicas e emocionais – como depressão, ansiedade e alterações de memória. Como em qualquer outra fase da vida da mulher, há uma relação entre os níveis hormonais e os sintomas1 físicos e emocionais. Algumas mudanças físicas incluem ciclos menstruais irregulares, ciclos mais intensos ou mais leves e ondas de calor.


Como lidar melhor com os sintomas1 da depressão?

  • Evite tranquilizantes. Use-os se for extremamente necessário e somente com a prescrição de um médico.
  • Mantenha uma dieta saudável.
  • Faça exercícios regularmente.
  • Engaje-se em algum projeto ou hobby que promova um sentido de realização à sua vida.
  • Encontre uma prática de auto-controle – como ioga, meditação, técnicas de relaxamento por respiração lenta e profunda.
  • Tenha boas noites de sono, mantenha seu quarto arejado e confortável.
  • Procure apoio emocional com familiares, amigos ou profissionais.
  • Mantenha-se conectado com sua família.
  • Consolide seus laços de amizade.
  • Participe de algum trabalho comunitário.
  • Tome medicamentos, vitaminas e minerais como prescritos pelo seu médico.

Caso você não consiga fazer isto sozinha, procure a ajuda de familiares, amigos ou profissionais especializados nos cuidados de saúde mental.


Como a depressão é tratada em mulheres?

Há uma variedade de métodos usados para tratar a depressão, incluindo medicações como antidepressivos e psicoterapia. A terapia familiar pode ajudar caso o estresse vivenciado na família contribua para a depressão. O seu psicólogo, psiquiatra ou psicanalista pode determinar qual é o melhor tratamento a ser seguido.


Qual profissional pode me ajudar no manejo da minha depressão?

Os mais procurados são os especialistas em saúde mental como psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e psicanalistas. Mas outros profissionais podem orientá-la como clínicos gerais ou médicos de família.

Existem centros comunitários que auxiliam pessoas com depressão, serviços universitários, programas de saúde mental em escolas médicas e clínicas particulares que podem ajudar pessoas deprimidas ou seus familiares.


Fontes consultadas:
National Institute of Mental Health

National Institutes of Health

Comentários

14/07/2010 - Comentário feito por Lucineide
Re: Depressão em mulheres
Adorei este artigo, por se tratar de um assunto tão comum para nós mulheres, até mesmo por que a minha mãe está com uma depressão fortissima, e eu não sei o que fazer quando ela começa a dizer certas coisas, então estou pesquisando tudo sobre o assunto para ajudá-la da melhor forma possivel.
08/07/2010 - Comentário feito por sandra regina pereira
Re: Depressão em mulheres
maravilhoso esse esclarecimento, pois estou passando por um período deste, e nao cria que seria de gravidade deste porte, com as informações obtidas; o esclarecimento foi de suma importância para mim apois tomar ciência dos resultados das pesquisas levarei mais à serio a minha condição de saúde e o tratamento será mais eficaz.Vou divulgar estas informações para minhas amigas que não acreditam ser tão sério este problema.Estão de parabéns as pessoas que colaboraram com estas informações!
14/05/2010 - Comentário feito por Danielle
Re: Depressão em mulheres
Realmente adorei este artigo, foi muito esclarecedor, estou em tratamento e é muito difícil nos aceitar, imagne os outros, minha médica me afastou do trabalho, pois não consigo mais sentir prazer nem ao menis pensar direito, queria pedir demissão, mais com orientação percebi que não estou em posição de tomar decisões, mais quero me cuidar e estar curada para continuar minha carreira e vida normal. Agradeço por me ouvirem, é tão bom ...
13/05/2010 - Comentário feito por claudia
Re: Depressão em mulheres
Gostei muito desta materia, pois apesar de trabalhar na area da saude, desconhecia determindos pontos da doença, chegando ate mesmo ao ponto de achar que nao era doenca e sim frescura, hoje sei que a depressao chega sem pedir licença...e se apossa da pessoa... foi assim que aconteceu comigo, estou fazendo acompanhamento médico e em uso da sulpirida.
14/02/2010 - Comentário feito por Valda Souza
Re: Depressão em mulheres
Gente, antes de tudo, parabéns por tantos artigos esclarecedores e completos que vcs publicam. Este, em especial, sobre depressão me ajudou muito. Já o li muitas vezes, pois faço tratamento há três anos e tenho parentes e amigas que infelizmente, tb sofrem de depressão. Informações claras, de fontes confiáveis, ajudam amplamente na questão da saúde humana, especialmente nos campos mental e emocial. Pois, existe muito preconceito, ignorância e desinformação, inclusive por parte de muitos depressivos. Eu me sinto feliz, privilegiada por ter largo acesso à informações tão valiosas que me beneficiam pessoalmente e me permitem ajudar, ou simplesmente, compreender outros. Tudo isso tem me poupado tempo, dinheiro e muitos erros. Obrigada!
30/12/2009 - Comentário feito por Iara Maria Teixeira
Re: Depressão em mulheres
Parabenizo o autor deste artigo, por postar informações que desconhecemos sobre nossa saúde, muitas vezes, por falta de iniciativa nossa de questionar, pesquisar até mesmo de observar o nos acontece no dia a dia. Veio ao encontro de minhas duvidas, esclarecendo pontos que desconhecia sobre a doença. Sou depressiva,sofri abusos sexuais praticados pelo meu pai, difícil situação, hoje estou com 36 anos, mal casada( me casei aos 17 anos para me livrar destes abusos), em fevereiro deste ano passei por uma histerectomia total, estou bem, graças a Deus, tenho um bom acompanhamento clinico, mas por enquanto faço uso de medicamentos.
27/12/2009 - Comentário feito por penha cardoso
Re: Depressão em mulheres
LI VARIOS ARTIGOS SOBRE DEPRESSAO NAS MULHERES COM MENOPAUSA E ESTE ARTIGO FOI O QUE ESCLARECEU O ASSUNTO PARA MIM.gostaria de saber mais detalhadamente sobre o assunto e como posso comunicar com voces pois profissionais do sus como psicologos,PSIQUIATRAS E OUTROS COMO GINECOLOGISTAS NAO EXPLICAM CLARAMENTE O QUE ESTA NOS OCORRENDO E POUCO NOS OUVEM POIS CADA CONSULTA PELO SUS DURAM 2 MINUTOS MAIS OU MENOS.eles receitam o remedio e quando falamos sobre os efeitos colaterais eles nao dizem nada,POIS ISTO OCORREU VARIAS VEZES COMIGo que dias de cada mes a mulher na menopausa sente os sintomas emocionais,PSICOLOGICOS E FISICOS MAIS INTENSOS? O.

Glossário

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Apatia: Diminuição ou perda de interesse ou vontade de realizar coisas ou tarefas.
3 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
4 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
5 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
6 Histerectomia: Cirurgia através da qual se extrai o útero. Pode ser realizada mediante a presença de tumores ou hemorragias incontroláveis por outras formas. Quando se acrescenta à retirada dos ovários e trompas de Falópio (tubas uterinas) a esta cirurgia, denomina-se Anexo-histerectomia.
7 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
8 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
9 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
10 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um.
Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
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